É bom pra quê?

agosto 29th, 2010

Neste domingo, estreia a série É bom pra quê? no Fantastico da Rede Globo.

O quadro vai mostrar como são usadas as ervas e os medicamentos fitoterápicos no Brasil. Grande parte dos medicamentos modernos foi desenvolvida a partir das plantas e, em um país com a biodiversidade brasileira, a fitoterapia tem um enorme potencial.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, 80% da população já usou alguma forma de medicina alternativa ou complementar. No mundo, o setor de fitoterápicos movimenta 21,7 bilhões de dólares por ano, segundo dados da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica. Aqui no Brasil, há 450 medicamentos fitoterápicos registrados que derivam de 160 espécies diferentes de plantas.

Nossa equipe viajou para nove Estados e levantou as evidências científicas relacionadas às ervas mais usadas no país. De acordo com uma pesquisa da Unicamp, o uso de fitoterápicos está diretamente relacionado ao conforto e acolhimento do tratamento. Para aprofundar essa investigação, vamos contar com a consultoria do Dr. Daniel Deheinzelin, pneumologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. No quadro, mostraremos exemplos práticos do uso do fitoterápico.

Essa história de dizer que se não fizer bem, mal também não faz, infelizmente, nem sempre é verdadeira. Nosso objetivo é separar o que é ciência do que é crendice.

Lançamento do novo livro e debate no SESC V. Mariana.

agosto 19th, 2010

Hoje, ocorre o lançamento do livro “A teoria das janelas quebradas” (Ed. Cia das Letras), que reúne as crônicas publicadas ao longo de mais de dez anos no jornal Folha de S. Paulo.

O livro é assunto também do debate com Afonso Borges, dentro do programa “Sempre um papo”, que está completando mais de 24 anos de existência. O evento terá início às 20 horas no SESC Vila Mariana, em S. Paulo. Não há cobrança de ingresso, e a lotação máxima do local é de 131 lugares.

Para mais informações:

SESC V. Mariana – Fone: 11 5080 3000

Site: http://www.sempreumpapo.com.br/capa/index.php

Livro: http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12991

Bem-vinda!

março 30th, 2010

Minha neta acabou de nascer. Não é a primeira, tive outra há cinco anos; uma menina de bons modos e olhar atento que encanta a família inteira.
Curiosa a experiência de ser avô, perceber que a espiral da vida dá uma volta completa; a primeira que independe de nossa participação. Sim, porque até o nascimento de um neto os acontecimentos biológicos, de alguma forma, dependeram de ações praticadas por nós: nossos filhos só existem porque os concebemos, os fatos que constituíram a história de nossas vidas apenas ocorreram porque estávamos por perto; mesmo nossos pais, só se transformaram em figuras carregadas de significado, porque nos deram à luz. Os netos, em oposição, vêm ao mundo como consequência de decisões alheias, nasceriam igualmente se já nos tivéssemos ido.
A ideia de nos tornarmos seres biologicamente descartáveis é incômoda, porque nos confronta com a transitoriedade da existência humana: viemos do nada e ao pó retornaremos, como rezam os ensinamentos antigos. Por outro lado, liberta do compromisso de transmitirmos às gerações futuras os genes que herdamos das que nos precederam, força da natureza que reduz a essência da vida na Terra (e em qualquer planeta no qual ela porventura exista ou venha a existir) ao eterno crescei, competi e multiplicai-vos, como ensinaram Alfred Wallace e Charles Darwin.
A sensação de que nos livramos dessa incumbência biológica, entretanto, não nos torna imunes ao ensejo de proteger os filhos de nossos filhos como se fossem extensões de nós mesmos. Somos impelidos a fazê-lo, não por senso de responsabilidade familiar ou normas de procedimento ditadas por imposições sociais, mas por ímpetos instintivos irresistíveis.
Os biólogos evolucionistas afirmam que a seleção natural privilegiou nas crianças uma estratégia de sobrevivência imbatível: a beleza. Fossem feias e repugnantes não aguentaríamos o trabalho que nos dão, porque cavalos e bezerros ensaiam os primeiros passos ao serem expulsos do útero materno, enquanto filhotes de primatas como nós são dependentes de cuidados intensivos por anos a fio.
Dizem eles, também, que o amor dos avós conferiu maior chance de sobrevivência aos bebês que tiveram a sorte de contar com ele, razão pela qual esse sentimento teria persistido em nossa espécie. Pelo mesmo motivo, explicam as vantagens evolutivas conferidas pela menopausa, fase em que a mulher já infértil reúne experiência e disponibilidade para ajudar os filhos a cuidar da prole.
Sejam quais forem as raízes biológicas, o fato é que caímos de quatro diante dos netos. Por mais voluntariosos, mal educados, egoístas, temperamentais e pouco criativos que os outros os julguem, para nós serão lindos, espertos, de boa índole e, sobretudo, inteligentes como nenhuma outra criança.

Anos atrás, surpreendi um amigo ao telefone, perguntando para o neto como fazia o boizinho do sítio em que o menino de dois anos se encontrava. A cada buu que ouvia, meu amigo ria de perder o fôlego. Diante do riso exagerado, perguntei como reagiria quando a criança relinchasse. Você verá quando for avô, respondeu.

Tinha razão. Os netos surgem em nossas vidas, quando estamos mais maduros, menos preocupados em nos afirmar, mais seletivos afetivamente, desinteressados de pessoas que não demonstram interesse por nós, libertos da ditadura que o sexo nos impõe na adolescência e cientes de que não dispomos mais de uma vida inteira para corrigir erros cometidos, ilusão causadora de tantos desencontros no passado.

A aceitação de que não temos diante de nós todo o tempo do mundo, cria o desejo de nos concentrarmos no essencial, em busca do máximo de felicidade que pudermos obter no futuro imediato. A inquietude da inexperiência e os desmandos causados por ela dão lugar à busca da serenidade.

Fase inigualável da vida, quando abandonamos compromissos sociais para brincar feito crianças com os netos, sem nos acharmos ridículos. Ajoelhar para que montem em nossas costas, virar monstros, onças ou dinossauros em obediência ao que lhes dita a imaginação aventureira, preparar-lhes o jantar que não comerão, assistir aos desenhos animados da TV, ler histórias na cama quando estão entregues, beijar-lhes o rosto macio, sentir-lhes o cheiro do cabelo e a respiração profunda ao cair no sono.

Novo site no ar!

março 22nd, 2010

Bem-vindos ao meu blog! É mais uma novidade dentro do portal Drauzio Varella, que reestreia hoje, com novo design, vídeos e conteúdo mais interativo.

O portal Drauzio Varella pretende ocupar espaço de referência na informação sobre saúde, mas este blog fica em uma nova seção, o Espaço Cultural, dedicada aos meus trabalhos fora da medicina: os livros que escrevi e as produções que derivaram dessas obras. Também criamos para essa área um programa de vídeo, o Conversas em que entrevisto pessoas que sempre admirei e quis conhecer melhor, como Paulo Vanzolini e o Orlando Villas-Boas. São entrevistas históricas feitas há quase dez anos e que, agora, conseguimos recuperar e colocar à disposição de todos. Para os próximos meses, gravaremos novas entrevistas sobre arte, cultura e ciência.

O blog será um espaço para a opinião, expressa em artigos que não estão diretamente ligados à medicina, onde um lado mais pessoal poderá ser notado.

Boa navegação!